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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Ao presidente de um órgão
Senhor Presidente, o que tem de vagas "úteis" à sociedade não está escrito. Mas eu pergunto. Será que vale a pena investir tanto na estrutura e esquecer os corações dos cidadãos? O que precisamos mais, do interior ou exterior? Não quero dizer que o enfoque está errado, mas que ele precisa ser pesado numa balança justa e mais consciente se quisermos crescer muito mais que nas vagas disponíveis no mercado. Estou à procura de emprego. Uma professora minha já dizia que os músicos antigamente mendigavam nas ruas. Parece que isto, este horror de saber disto só nos ocorre depois da conclusão do curso. E é muito difícil quando conhecemos esta verdade. E mais ainda neste país, onde a divisão da renda é tão injusta. Vemos os corruptos se perpetuarem no poder, ou voltar, como é o caso do Collor. Vemos tantas CPIs que não dão em nada, ou melhor, dão em pizza. Vemos os crimes cada vez mais bárbaros, cruéis. Pessoas que matam por qualquer banalidade, que atiram sem piedade, sem compaixão. Eu poderia citar tanta coisa ruim que vemos neste país e mesmo assim seria pouco. Será que a ênfase da educação do Brasil está certa? Sabe, vendo o que vejo todo dia no noticiário, acredito que não. Acredito que a educação brasileira precisa mais de arte que muita coisa. É uma necessidade, uma urgência em ensinar muito mais que matemática. É preciso aprender a ter fome. E nada melhor que ter fome e poder comer. Já diz uma música: Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? Oxalá que haja mais consciência neste país. Por isso fiz questão de dizer tudo isto neste email. Senhor Presidente, muita coisa pode mudar a partir de pessoas como você. Picasso já fazia uns quadros em que objetos eram mostrados despedaçados. Acho q muita coisa neste país está em pedaços e por isso eu peço sua ajuda.
Cordialmente,
Ismael Patriota
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Ao Luar
Quando, à noite, o Infinito se levanta
À luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tactil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Clarice Linspector: A gente se acostuma
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos
e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista,
logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas,
logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma,
esquece o sol,
esquece o ar,
esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado
porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
"Hoje não posso ir".
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo,
o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber,
vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali,
uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada,
a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio,
a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro,
a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer,
a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito,
porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza,
para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas,
sangramentos,
para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta,
e que se gasta de tanto se acostumar,
e se perde de si mesma..."
domingo, 22 de novembro de 2009
I am sick of lying II
sábado, 21 de novembro de 2009
2010?
faz algum tempo que não publico alguma coisa no meu blog.
Estava pensando justamente em 2010.
Mas antes uma retrospectiva: meu ano 2009 foi de muitas surpresas,algumas não muito boas. Acho q o q salvou esse ano foi minha prova do mestrado aqui no Rio. Nossa, eu estava preparado! Nada melhor do que estar preparado para algunma coisa. Acho q reconhecemos isso tantas vezes mas raramente nos lembramos disso quando perdemos. Não estávamos preparados! Ufa...passei no mestrado. Tirei mais um peso em direção ao alvo....
Bom, e então? Como será 2010? Ah, com certeza, mais desastres, mais catástrofes, mais alegrias, mais companhias, mais de tudo enfim, desse complexo mundo nosso de cada dia.
Uma letra diz: Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo agora..há tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre, como uma onda no mar......
Eu entendia mal essa letra. Eu pensava q a onda no mar se referia somente ao aqui dentro, mas não, se refere também ao lá fora. Não há pessimismo aqui, mas expectativas, tal como cada onda é diferente da anterior....
Mas também não espero demais. Uma coisa para o qual somos preparados é essa verdade de saber nossas limitações. Algumas superamos, outras adiamos para o próximo ano. Não quero ser o melhor, só quero crescer....
Uma vez me disseram que eu devia me sentir muito orgulhoso pela maneira de tocar teclado na igreja..rsrs....graças a Deus a minha resposta não poderia ter sido melhor: Mas como poderia me sentir orgulhoso por isso, se tudo o que eu sei aprendi com os outros?....Não é à toa que toda a glória vai para Deus. Ele, que fez, literalmente CRIOU toda essa complexidade que somos, que nos deu toda essa vida, q permite q uma onda não seja igual a anterior...a Ele sim, toda a honra e glória.....
2010? Bom, só quero estar preparado.....
sábado, 12 de setembro de 2009
Novos Horizontes
No Rio de Janeiro….
Novos horizontes para 2009,2…jamais pensei que estaria aqui, mas como sempre, minha vida está sendo literalmente conduzida. Não foi diferente neste episódio. Mas, estando aqui, as coisas começam a ficar um pouco mais claras….quantas coisas há pra se ver, pra se aprender, pra se entender. Neste espaço quero hoje apenas escrever uma coisa: estou aberto a esse novo horizonte. novas amizades, novos hábitos, novidade. Penso que a novidade é algo fundamental na nossa vida, e Deus faz questão de colocá-las na nossa frente. No meu caso, literalmente. Aqui no Rio, as paisagens são lindas. O cenário deslumbrante. Tem aquele clima que eu adoro. Sim, meus sentidos estão mais aguçados……
Ai ai…..enquanto eu escrevo essas linhas, estava pensando em como cheguei até aqui. É impressionante. Eu não me interessava por tantas coisas que hoje são tão importantes. Nossas vidas são conduzidas e somos influenciados por tudo o que passa por nós. Temos vislumbres, temos saldades, mas esses tempos não voltam e dia após dia somos conduzidos por esse ser inconfundível, infinito, que somente nos dá a idéia de como será. Q você acha que será o céu? Bom, eu acho que teremos experiências ainda melhores lá. Acho que tudo que aprendemos será ampliado e é por isso que procuro aprender o máximo enquanto vivencio um momento ou uma música ou um filme, uma adoração, uma partida, um beijo, um olhar, uma leitura, um observar…sim, pra mim são vislumbres de algo muito maior. C. S. Lewis disse uma vez do peso da glória que isto traz. Sim, eu vejo isso, eu sinto isso! Está ai, em todo lugar, em toda experiência, existe realmente esse algo por tráz de tudo o que existe neste mundo. Esse algo talvez seja a única coisa que é capaz de conduzir o ser humano. Por traz de toda mãe que cuida de seu filho, do pai que trabalha, do esforço de cada dia, da procura nossa de cada vida….exite esse anseio, esse pequeno desejo que diz que há um sentido maior além do que podemos ver. Existe um motivo para não sucumbir, não cair….
Novos horizontes, perspectivas e experiências. Agradeço a Deus por isso. É mais um bonito capítulo da minha história em que Ele me alegra e cuida de mim.
Obrigado!
Remembrance
| by Emily Brontë | ||
Cold in the earth--and the deep snow piled above thee, | ||

